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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Minhas vizinhas são fofoqueiras, eu não



Eu odeio fofocas. 

Eu não sei por que as pessoas vem me contar fofocas!

Hoje eu mal acabei de colocar os pés na minha calçada, a minha vizinha que mora à esquerda da minha casa apareceu na porta de pijama. Um pijama bem indecente por sinal. Aliás ela adora desfilar pela sua calçada com aquela pijama curto, mostrando parte da bunda. Costuma varrer as folhas de sua porta e quando abaixa para pegar o lixo, os homens quase tropeçam na rua. Ela faz só para chamar atenção mesmo. Gosta de exibir o corpo que tem. Bem, mas como eu ia dizendo, esta vizinha apareceu e foi logo me dizendo: 

- Dona Gi (ela nem me deu bom dia) a senhora acredita que o marido da nossa costureira pegou ela na cama com o primo dele? Estou chocada.

Na verdade não sei por que ela ficou chocada. Aquela costureira tem uma cara de “piriguete” danada. E o marido dela um panaca, um bobalhão, merecia isso mesmo. Eu não me assustei, pois já esperava isso daquela moça. Ainda mais sendo da família que é. A mãe sempre foi uma sem vergonha, o pai um pilantra de marca maior. Não podia sair coisa boa mesmo.

- Não diga! 

Antes que ela continuasse apareceu a outra vizinha. A do lado direito. Estava com uma vassoura na mão. Tinha nada para varrer. Calçada limpinha. Ela é muito caprichosa. Veio só para ver o que estávamos falando, pois tem uma curiosidade que dá medo, é enxerida. Deveria era cuidar do marido sem vergonha e do filho maconheiro em vez de vir bisbilhotar nossa conversa.

- Bom dia querida! - Falei. - Você sabia que pegaram a costureira com o cunhado dela? 

- Que costureira? - Além de enxerida é sonsa.

- Cunhado não dona Gi, primo.

- É tudo parente. Dá no mesmo. - Virei para a vizinha da direita - Aquela que fez o vestido de formatura de sua filha.

- Mentira!

- Que nada!

Ouvi meu telefone tocar, deixei as duas linguarudas lá fora e entrei para atender. Gente sem serviço. Odeio esse tipo. Tirei o fone do gancho.

- Alô!

- Dona Gi, sou eu, a Dina.

- Ah! Sim, pois não.

- O vestido da senhora já está pronto. Pode vir buscar.

- Pede o seu marido para trazer pra mim. Estou muito ocupada.

Fez um silêncio do outro lado da linha. Fiquei aguardando a resposta.

- Ele não está em casa hoje. Mas eu peço para alguém levar pra senhora.

- Está tudo bem com você? Sua voz parece triste. Aconteceu alguma coisa querida?

Outro silêncio se fez. Tive a sensação de ouvir um choro. 

- É que dormi mal. Fiquei até tarde costurando. Obrigada pela preocupação.

- Qualquer coisa pode falar comigo tá minha filha. Você sabe como eu admiro você, sua família. 

- Obrigada. 

Desligou.

Fiquei pensativa. 

Depois peguei minha bolsinha de moedas e fui até a padaria. Ao passar pela calçada as duas fofoqueiras ainda estavam lá. Tinha certeza que iam me perguntar aonde eu estava indo e então passei depressa.

- Quem era ao telefone?

- Onde vai com tanta pressa?

Não respondi nenhuma pergunta. Fiz que não ouvi. 

No caminho encontrei meu cunhado. Ele ainda não sabia da traição da costureira. Ficou abobado quando eu lhe perguntei.

Quando entrei na padaria encontrei algumas amigas. Nenhuma delas sabiam da novidade. Fiquei pensando como as pessoas são mal informadas. Parecem que vivem noutro planeta. Achei engraçado que uma das minhas amigas disse horrores da costureira. Pensei: “Logo você que vive enfeitando a cabeça do marido!” Ela pensa que não sei. Todo mundo sabe que ela tem um caso com o dono da farmácia do seu bairro. Aliás, dizem que o seu filho mais novo é dele. Cada uma. É por isso que odeio gente fofoqueira.

Voltei pra casa, tomei meu café e fiquei pensando como as pessoas gostam de espalhar conversa fiada. A minha vizinha nem tinha certeza de nada e foi me contando aquilo. Ah! Não, por eu isso eu não contei pra ninguém, apenas perguntei se já sabiam.

Juarez do Brasil
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